A Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, revelou a maior ofensiva já registrada contra o crime organizado na economia formal do Brasil. O Primeiro Comando da Capital (PCC) teria infiltrado o mercado financeiro, movimentando R$ 30 bilhões em fundos de investimento e fintechs na Faria Lima, em São Paulo.
A ação contou com 1.400 agentes para cumprir cerca de 200 mandados judiciais em oito estados, atingindo 350 alvos ligados ao PCC. Escritórios, fundos e endereços na Faria Lima, centro do mercado financeiro nacional, foram alvos de busca e apreensão.
De acordo com a Receita Federal, a investigação teve início após a identificação de fraudes no setor de combustíveis. Distribuidoras, refinarias e postos eram usados como fachada em um esquema que teria sonegado R$ 7,6 bilhões em impostos ao longo de anos.
As autoridades descobriram que o grupo criminoso utilizava as engrenagens do sistema financeiro para lavar dinheiro do tráfico e da sonegação. Foram identificados pelo menos 40 fundos controlados indiretamente pelo PCC, que juntos administravam mais de R$ 30 bilhões.
Muitos eram fundos de “um cotista só”, em que o único investidor era outro fundo, criando camadas de opacidade para esconder a origem do dinheiro.
Um dos casos mais emblemáticos é o da BK Bank, fintech que teria movimentado R$ 17,7 bilhões em operações suspeitas. Outro destaque foi a empresa Reag, listada na Bolsa de Valores, que registrou queda de 16% nas ações após ser mencionada na operação.
Com a Carbono Oculto, a Polícia Federal reforça que o PCC deixou de ser apenas uma facção criminosa do submundo do tráfico e passou a operar como um verdadeiro conglomerado econômico, mesclando atividades lícitas e ilícitas para aumentar seus lucros e influência.











