Lar Polícia Clínica clandestina é fechada em Itapoá após denúncias de cárcere privado e maus-tratos
Polícia

Clínica clandestina é fechada em Itapoá após denúncias de cárcere privado e maus-tratos

Uma operação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) resultou, nesta quarta-feira (22), no fechamento de uma clínica de reabilitação clandestina no centro de Itapoá, após denúncias de maus-tratos e cárcere privado. O local, conhecido como “Abraço de Mãe”, mantinha pacientes em condições precárias, com falta de higiene, alimentação inadequada e restrição de liberdade.

Continua depois da publicidade

A ação foi coordenada pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Itapoá, sob responsabilidade do promotor Luan de Moraes Mello, com o apoio da Vigilância Sanitária, Polícia Militar e assistentes sociais do Ministério Público. Três pessoas, incluindo a proprietária da clínica, foram presas em flagrante.

Segundo o MPSC, 31 pessoas estavam internadas, quase todas contra a própria vontade. Ao receberem a oportunidade de deixar o local, todos saíram imediatamente. Relatos indicam que os internos eram levados por meio do chamado “protocolo de resgate”, em que familiares pagavam cerca de R$ 5 mil para internações, muitas vezes utilizando força física.

Durante a vistoria, as equipes encontraram colchões espalhados pelo chão, medicamentos armazenados em recipientes de banheiro e alimentação precária. A administração dos remédios era feita por internos ou pessoas sem formação na área de saúde, em um ambiente com obras inacabadas, entulhos e pregos expostos.

“A cena foi tocante. Havia pessoas desesperadas pela liberdade, algumas presas há anos”, relatou o promotor Luan de Moraes Mello.

O MPSC ainda verificou que a clínica já havia atuado em Itapema, onde foi interditada após denúncias semelhantes, e suspeita-se que tenha se mudado para Itapoá para evitar fiscalização. No novo endereço, não havia licença sanitária nem registro profissional, motivando a interdição imediata do imóvel.

O Ministério Público está promovendo o acolhimento das vítimas, com apoio da Assistência Social Municipal, e contatando familiares para garantir o retorno seguro dos internos. O promotor reforçou que o tratamento da dependência química deve ser realizado por equipes técnicas de Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e Unidades Básicas de Saúde (UBS), não por práticas abusivas sem respaldo técnico.

As investigações seguem em andamento para apurar crimes de cárcere privado, maus-tratos e exercício ilegal da profissão, enquanto o imóvel permanece interditado e sob acompanhamento do MPSC.

 

Artigos relacionados

GAECO realiza operação em três cidades de Santa Catarina para investigar suspeitas de fraude em hospital.

O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) realizou,...

Três homens são encontrados carbonizados em área de mata no Sul de Santa Catarina.

Três homens foram encontrados mortos e carbonizados na segunda-feira (19), em uma...

Azeite de oliva proibido pela Anvisa é apreendido durante fiscalização na BR-153, em SC.

Uma carga de azeite de oliva com comercialização proibida no Brasil foi...

Mãe é presa suspeita de se omitir diante de abusos sexuais contra a filha de 12 anos em Santa Catarina.

Uma mulher foi presa temporariamente na manhã de domingo (18), em Mafra,...