Araquari vive um caso gravíssimo que precisa ser tratado com seriedade e responsabilidade. Após uma denúncia, a assistência social e o conselho tutelar retiraram uma criança de um casal e a encaminharam para um abrigo. Em menos de 24 horas após a entrada na instituição, a família recebeu a notícia mais devastadora possível: o filho havia morrido após se afogar dentro do local de acolhimento.
Diante disso, surge uma pergunta que não pode ser ignorada: de quem é a responsabilidade? Vídeos institucionais, notas técnicas e palavras bonitas cuidadosamente escolhidas não apagam falhas e, muito menos, trarão essa criança de volta. O que está em jogo não é imagem pública, mas a vida de uma criança que estava sob tutela do Estado.
É preciso destacar um ponto essencial: a criança tinha apenas 1 ano e 10 meses e estava há menos de 24 horas no abrigo. Isso, por si só, exige cuidado, atenção e vigilância redobrados. Trata-se de uma criança pequena, retirada de forma abrupta do lar ao qual estava acostumada, de pessoas que reconhecia como referência, e levada para um ambiente totalmente desconhecido. É natural e previsível que uma criança nessa idade explore os espaços ao seu redor, muitas vezes em busca dos pais, o que torna a supervisão constante ainda mais indispensável.
A partir do momento em que a criança é retirada da família, a responsabilidade por sua integridade física e por sua vida passa a ser do Estado, por meio do conselho tutelar, da assistência social e da instituição de acolhimento que assume a guarda. Qualquer falha ocorrida nesse período precisa ser rigorosamente investigada.
Por isso, é imprescindível que a assistência social, o conselho tutelar e o abrigo sejam investigados pelo Ministério Público, não apenas neste caso específico, mas também quanto à forma como os serviços vêm sendo prestados no município.
A sociedade de Araquari exige respostas claras, transparência e justiça. Nenhuma instituição está acima da lei e, quando há falhas, elas precisam ser apuradas, doa a quem doer. Proteger crianças vai muito além de discursos: exige estrutura, fiscalização, responsabilidade e, acima de tudo, compromisso real com a vida.











